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"Não tenho medo de ser taxado de coruja, avô-coruja. Felipe Fragoso, meu neto, entrando na primavera da vida, trás um montão de flores em forma de versos, que ele chama de "pobres", e eu digo que são "riquíssimos". Os seus versos têm a riqueza que o dinheiro não pode dar.
São grandes pela própria natureza, porque ele nasceu poeta. Sabe jogar com as palavras como Garrincha fazia com a bola. Brinca com os versos como as rendeiras de Nova Russas, no Ceará, jogavam com os bilros nas almofadas ao cair da tarde. Leiam e depois me julguem, não o avô de 85 anos, mas o homem que gosta de poesia desde a Escola do Profesor Severino Lopes, no Teixeira." Estanislau Fragoso Batista.
Por Felipe Fragoso Fernandes Versos Pobres ontem, 27 de junho de 2010, 15:13:03 Como se fosse mágica a transição das cores Como se fosse música o farfalhar das flores Como se fosse lógica a agonia ardente Como se fosse tácito tanto penar da gente Como se fosse rígido a armação da tenda Como se fosse ínfimo o profundar da fenda Como se fosse trágico o avançar da hora Como se fosse único o lumiar lá fora Como se fosse tímido o abanar das asas Como se fosse místico o limiar das casas Como se fosse péssimo o penar que sinto Como se fosse bálsamo esse tom que pinto Nada me conforma No vazio de sua forma Tudo me confunde O pensar que em ti se funde. 
 E se disser que talvez seja Algo assim, que se deseja. Ou, quem sabe, nunca esteja. Apenas sinta, ouça e veja. Outros tantos sairão. Uns a tôa, uns em vão. E quem sabe arguirão Em busca do sim, Ao encontro do não. Poucas bocas loucas Num sonar sombrio Acendem acessa e a chama queima Apagam a marca à tapa, a chama acaba Tristes trastes contrastantes travos Largue a vida, viva e morra Antes ame alguém que clame A carne, a chaga, a centelha, Uma cela com'ma telha. Não hesites do que sintas, Não temeis a falha incerta. Certamente entreaberta A verdeda esteja pra que mintas. Se partires não treslouque, Siga em frente a sua ida, Não retornes caso alguma Falta haja na guarida. Louco teimo, eu insano A versar-te estes versos Sou tampouco muito humano Sofro quieto meus excessos. Saca a folha desse livro Rasga e vira a sua página lento, lerdo, lenço, livre, louvo, lavo, lindo, choro. E tenho o dito!  Temo chegar a concluir, um dia, que essa vida que eu levo, não era bem o que eu queria. e perguntar-me-ia já ciente da resposta: "O que me restará, além da boemia?" Aí, então, farei comício Pra convencer a grande massa Sustentar meu pobre vício.  A calma que em mim habita Se debate querendo gritar E a tristeza nem sequer evita De sorrir ao me ver chorar A paz que tanto procuro Parece que foge querendo brincar E como cego perdido no escuro Me esbarro na vida tentando te achar Na noite, quanto mais tardia Me bate a saudade de tempos atrás Na minha cama tão vazia Você ao meu lado, não está mais  Nunca concordei com o tempo que o tempo leva pra passar. Sempre estamos em desacordo. Quando quero que ele passe rápido e que o que estiver pela frente venho logo, ele rasteja. Quando quero que ele rasteje, passe bem devagarinho, se possível pare, ele voa. É uma proporção injusta Quanto melhor, mais rápido Quanto pior, mais lento Quero que ele siga o meu compasso O meu tempo, O meu relógio, A minha cronologia. Quer outro exemplo? Quando quero ficar acordado, é hora de dormir. Quando quero ficar dormindo, é hora de acordar. Um dia, senhor tempo, eu paro de te seguir E aí quem vai ter que vir atrás de mim o senhor. E eu não vou querer nem saber, Se quiser vai ser do meu rítmo, Caso contrário, deita e dorme, E peça que o MEU tempo, passe mais rápido.  Minha rima é porca Assim como meu desejo imundo E a tristeza sufoca Assim como de fome o mundo Minha roupa é torta Assim como o curso do rio E por de trás da porta Não há mais nada além de estio.  As coisas do silêncio Que nascem e que morrem QUe viram e que crescem Desfazem-se em sonhos, e em dias padecem. O silêncio da morte Que nasce do medo O silêncio da sorte Que começa no beijo O silêncio do choro, Que escorre na lágrima O silêncio da música Que vira uma página. A luz da aurora Que nasce da noite, E o quente do sol Que morre na tarde No silêncio da alma No nó em meu peito Minha vida declara Em silêncio o seu jeito  A mente cheia de versos E a noite cheia da lua. Em pensamentos tão dispersos Me vem a sua imagem nua. Num corpo tão perfeito, Numa noite tão escura, Minha mão em teu peito, E meu ouvido tu sussurras. As horas vão passando E a noite vira dia. Te sinto me abraçando, E eu te beijo a boca fria. Outro dia recomeça. Novamente vou embora. Te espero que me peça. Se me chamas, vou agora.  Eu senti o seu alento gélido nas longas noites em que lhe compartilhava minhas lágirmas, E com ela passei dias esperando a vinda de algo melhor. Eu dividi com raiva meus medos, meus sonhos, e meus desesperos, E ela calada só manteve-se ao meu lado, me ouvindo estática. Eu fui aquele que lhe cantava canções, lhe escrevia poemas, e que passava horas a pensá-la. Eu fui pra longe, me escondi, briguei com todo o mundo, e ela sempre esteve ao meu lado. E apesar de tudo isso, de toda essa fidelidade cega e irracional, Eu, dubitavelmente, renuncio essa companheira. Renuncio. Não desejo mais esse silêncio resiliente, Não quero mais sentir sua companhia ao meu lado, Seu olhar apaixonado e piedoso sobre meu cadaver que insiste viver, Me dispeço, mesmo sabendo que é impossível. Pois sei que um dia voltará para mim, cedo ou tarde. Sei que um dia, de repente, ao olhar para o lado... talvez para frente Ela vai estar lá, triste, pálida, cálida e intensa, E como sempre fez outras vezes, silenciosamente, Olhará em meus olhos, pegará a minha mão, E seremos de novo nós dois, Só eu e a solidão.  Dos amores que senti, Das bocas que beijei, Das dores que ardi, Dos planos que criei, Todos foram embora, E o que ficou foram poucas, palavras rasas, rimas tristes, que reúno no livro, ainda novo, de minha vida. Hoje escrevo sobre o que se passou, Pois não sinto mais sobre o que escrever. Não escrevo mais da musa, que me tira o sono, Não escrevo mais da dor, que atrai o choro, Não escrevo mais das coisas, que me fazem amar. Escrevo somente do dias que se foram, E das palavras que ficaram, Transfiguradas em escaços versos, Transformadas em vis palavras, Que tentam, em vão, Serem mais tristes Do que este coração.  Há impactos na vida que são tão fortes, Que eu nem sei mais onde estou. Há momentos na vida tão intensos, Que eu nem me lembro de viver. Há horas que passam tão rapidas, Que dá até medo de morrer mais cedo. Há lembranças tão gostosas em minha memória, Que as vezes penso que elas não existiram. Há vazios tão grandes em minha cabeça, Que já me esqueci Desses impactos, Desses momentos, Dessas horas, Dessas lembranças.  Eu sou assim: Enquanto só, Ruim. Queria ser diferente: De qualquer maneira, Contente. Não vou dizer que não tento: A qualquer custo, Um alento. Mas, amigo, lhe confesso: Nessa vida, todo dia, Quem me dera um boteco.  "Eu que sou filho de um pai teimoso Descobri maravilhado que sou mentiroso Sou feio, desidratado, infiel Bolinha de papel Que nunca vou ser réu dormindo Eu descobri como um velho bandido Que já pude estar perdido neste céu de zinco" Velho Bandido - Casuarina Aquilo que espero, Daquilo que tenho. Não é, e não pode Ser o que sonho. O sonho que tenho, E aquilo que posso, São tão diferentes, Que nem os escolho. O que tenho de tempo, Que foi, e que vem Não é o preciso, É o que me convém. Portanto se choro, Se rio, ou me canso. Quem é que se importa? Quem é esse alguém? ==========================================================  E as horas sozinho a contemplar a lua? O abraço quente, carinhos do filho que ele iria ter? As noites de amor, dos dias de cansaço? As risadas de alegria com os amigos? As voltas para casa, caminhando ébrio pela rua, A cantar para a noite, acordando a vizinhança? E os tantos pores-do-sol que ele não vai mais assistir? Os momentos a sós consigo mesmo, no escuro do seu quarto, Na sala vazia, ao som de suas músicas? E as piadas sem graça, as risadas forçadas? Os acordes não tocados, os sons não ouvidos? As mulheres não beijadas, os amigos não feitos? As palavras não ditas, os gritos não dados? E os lugares não visitados, os segredos calados? As lágrimas silenciosas, que de seus olhos não escorreram, E que por isso ninguém pode lhe ajudar? E a hesitação de seus atos, as palavras não ditas? Os momentos que não foram, e que jamais virão? Porquê hoje ele só quer uma coisa: Que a morte lhe abrace, calma, silenciosa e de repente. (como o abraço que ele tanto esperou de alguém em vida)  Eu ainda existo, só não escrevo. Eu ainda existo só, não escrevo.  Vazio: É o que eu sinto. É o que eu tenho. O que me resta. Como estou. O que eu enxergo. É onde eu travo minha batalha, E onde eu me escondo, Quando tudo não passa disso: Vazio  Eu não consigo mais escrever Pois acho que já escrevi sobre tudo que eu já senti Isso significa que eu tenho que sentir coisas novas Para que eu possa descobrir novas maneiras, novas rimas novas possibilidades de versos, estrofes e sons. A conclusão é a mesma que já tive outrora: Eu preciso de vida...  "Tiredness fuels empty thoughts I find myself disposed Brightness fills empty space In search of inspiration" Damien Rice - Eskimo Se não escrevo é porque não sinto E não sinto porque não tenho Não tenho a dor que dos olhos faz escorrer a lágrima Não tenho o medo de que tudo se acabe Não tenho a triste certeza que alguém há de partir Cedo ou tarde Não sinto mais o nervoso de um beijo Nem o prazer de um doce afago Não sinto a alegria d'um olhar soturno E o sorriso da malícia no calar da noite Não sinto mais a falta de certeza Certeza essa, que inunda o meu nada E ali fica, dentro do vazio dos meus dias. Me lembrando que estou só E que só comigo, eu não me basto E não me acalmo, eu deixo de sentir Eu deixo as coisas que não percebo Eu deixo as horas, E é por isso que não escrevo  Tem dias que são tão frios quanto a noite Que me cubro de esperanças tolas E apago a luz da minha realidade pobre. Existem horas que são tão longas quanto o ano, Que me perco em seus dias, que são segundos, E que, segundo a lógica irracional da vida, vão embora. E cada segundo desse, que perco me escondendo de quem eu sou, É um segundo que não acho num futuro perto que está por vir, E por esperar tanto esse futuro que não chega Sigo vivendo, meio morto, meio triste, meio vazio No espaço que o hoje me consente.  Hoje eu só queria estar num canto. No teu canto, num canto calado, Num canto parado, num canto fechado. Queria só sentir o afago dos teus dedos Por entre meus dedos, Sentir o teu cheiro se derramando sobre mim. E sentir a preguiça das horas, que se arrastam. Sem ter medo algum de que você vá embora De que tudo acabe. Hoje eu queria estar deitado Tão junto, ao teu lado, Tão silêncioso e tão inerte. E a escuridão acalmaria meus medos E a tua voz a dizer meu nome despertaria meus sonhos E o calor do teu hálito me protegeria do frio dos meus atos. Hoje eu só queria o nada, O silêncio, a hora passando, O sol caindo, a lua subindo, O momento estático, Nossos corpos parados, Nossas vozes caladas, E nossas vidas seguindo, Juntas, unidas e únicas.  Acostuma-te coração Pois é só desse pouco Que irás viver. Terás pouco amor, Pouco carinho, Poucas alegrias, Poucos motivos para seres feliz. Acostuma-te coração Pois isso será a tua vida A vida não será do jeito que quer. Não terás os amores que quereres. Não serás amado como quereres. Viverás a mingua de um amor que não existe E o verá sempre passar pela tua frente, Tocará algumas vezes, o amor desejado, Mas lhe doerá a pele, lhe arderá a fronte. E perderás a chance, ser perderás no instante. O amor lhe será sempre assim, Como a onda que bate no mar, Como o brisa quente a soprar Como ela, que não está em mim.  É pela palavra que jamais lhe ouvirei dizer, É pelo toque que jamais sentirei da tua mão, É pelas lágrimas que não verei escorrer dos teus olhos por mim, É pela calma que não sentirei ao estar do teu lado, nunca. É pelo olhar cheio de ternura, que nunca me dirigirás, É pelo beijo sedento de amor e lascívia que jamais sorverei de ti, Pela carta que não escreverás, pela música que jamais será nossa, Pela manhã que verei amanhecer sozinho, Pelas noites que padecerei a sua espera. É pelas coisas de ti, que não são minhas,e sei que não serão. É pelo cuidado e a segurança que você não me dará. É pelo convívio besta, a toa, sem assunto, sem palavras que não iremos ter, É pelos filmes que não assistiremos, Pelos lugares que não conheceremos juntos, Pelos nomes dos filhos que não teremos, Pela alegria que não sentirei, Pelo amor que jamais sugarei de teus poros. É da entrega tua, que não será pra mim Que o meu gostar se nutre, Das coisas que não são, E, tristemente, não irão ser.  O amor me consome com a mesma intensidade que consumo os meus cigarros. E eu, assim como o cigarro, vou me consumindo calado, silencioso e lentamente. Só eu sei o que se passa aqui dentro, só eu posso sentir. Só eu, e meus cigarros.  Realmente está ficando chato. Ultimamente não tem dado tempo nem para começar. O que será que está havendo?! Comigo, com elas, com a vida?! O que acontece? É tudo tanto e tão intenso. Mas logo acaba. Não chego a sentir o gosto da calma de amar, Se é que ela existe de fato. Tem sido somente medo, E o sentimento do fim premente. Quantas lágrimas, quantos fins, Tanta tristeza, tantos planos. Tudo em vão, tudo para nada. Não sei até quando aguento, E começo a indagar se devo, de fato, aguentar...  Mostrar todos os itens
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